terça-feira, 27 de setembro de 2011

Abra os olhos e espie pela janela
O céu é azul
E suas lágrimas também

Ciano liberdade

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Imensidão

Caminha, menina.
Anda por esse mundão, no asfalto, na terra batida, e vai deixando cair cada noite mal durmida, cada lágrima que já derramastes.
Deixa cair todos os teus medos, e pisa em cima deles. Mistura com a poeira, deixa que virem pó.
E nua de todo o mal que te fizeram – a vida, as coisas da vida, e tu mesma – penetra a água gelada e limpa tua alma. Mergulha, perde o ar, enfrenta a morte e renasce novamente.
Caminha, menina.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

É difícil a jornada do escritor.

A primeira palavra, a primeira idéia lançada ao papel. É preciso ter coragem para embarcar no que se sabe ser uma aventura muitas vezes sofrida, cheia de meandros, de becos escuros que parecem não ter – e às vezes não têm mesmo – saída.

Mas o escritor é, antes de tudo, um tolo. Acredita que desta vez será diferente. Limpo. Tranquilo. Maquinal.

Tsc. Tsc.

Cada primeira linha do capítulo é um parto. De tantas noites em claro, de tantas páginas em branco, ameaçadas por um cursor preto e irritante.

O escritor, porém, não sente medo.

O escritor é, antes de tudo, um obstinado. Teimoso, diriam aqueles que, diferentemente dele, não precisam lapidar cada expressão de nosso idioma no mais perfeito diamante da comunicação.

O escritor é, antes de tudo, um esteta.

E segue seu caminho pedregoso em flor.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É preciso redefinir todo o conceito de saudade.

Ou inventar uma palavra nova, que dê conta de tudo o que eu sinto neste momento.

Não é só a ausência dele. É também a ausência de mim mesma. Minha estrada, que ele vai delineando a giz no chão, desbotou tanto que não leva mais a lugar nenhum.

Não é só a falta que ele me faz, mas a falta que o mundo todo faz quando ele não está por perto para dar um sentido maior a todas as coisas. O livro da vida tem uma página em branco para cada dia que não posso olhar bem fundo naqueles olhos fundos. Cheios de vida pulsando por dentro, transbordando em mim e se derramando sobre o branco de outrora.

Sobrevivência.

Vida assim tão pela metade, que nem merece o nome que aqui lhe dou.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Não é bom para o homem viver assim em pé de guerra no meio de seus companheiros imediatos". (Émile Durkheim)

Essa é a frase mais simples do mundo! é Étão óbvia! E, ao mesmo tempo, resume toda a minha crítica à nossa sociedade pós-moderna: de que adianta ganhar rios de dinheiro se você vai sair na sua mercedes desejando voltar o mais rápido possível pro seu condomínio na barra da tijuca, porque sabe que a favela mais próxima provavelmente estará tendo uma troca de tiros fudida, que pode acabar sobrando pra você e seu terno aprumadinho?

Será que ninguém entende que viver com MEDO é muito pior do que viver com POUCO?

Ok, o texto ficou super confuso. Foram as 4 horas papeando com o Durkheim. O francês mais alemão do mundo sabia das coisas. A seu jeito, e tal. Mas eu concordo bastante até.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Domingo

Debruço meus olhos sobre os seus
Você me recebe, se deixa enrolar, permanece em mim
Nosso olhar se enrosca
Como se aquele ato fosse a verdadeira consagração de um matrimônio
Mergulho em um mundo novo, onde tudo faz sentido
Há calor e aconchego.
Não quero ir embora.
Não quero.

Você sorri. Eu também.
Cada sorriso que trocamos, é um pedaço de mim que lhe entrego,
E uma parte sua que recebo de bom grado.
Assim, sem que sequer percebamos, eu sou toda sua e você é todo meu.

Passo a mão pelos seus cabelos...
Já não sei divisar onde eu termino e você começa.
Estou inteira.
Seus fios reconhecem em meus dedos velhos amigos.
Dialogam.
Entendem-se.
Coexistem em harmonia perfeita.

Beijamo-nos.
Um dueto nato.
E o mundo é música.
E nós somos música.
E então eu entendo... que desaprendi a viver sem você.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Minha vida segue de explosão em explosão.

Eu mal-sobrevivo a minhas próprias idéias, aos meus próprios desejos, às minhas próprias alegrias.

Porém, parece-me tanto que busco um recanto de paz, que busco conforto para pés já cansados de trilhar caminhos pedregosos.

O cheiro bom e fresco da juventude.

A tranquilidade displicente da juventude.

O imediatismo da juventude.

Eu era aquela a quem todos os outros chamavam "Peter Pan"; assusto-me com a ausência da Terra do Nunca. Assusto-me com o terninho e o salto alto, com os horários que não posso descumprir, como quando desligava o despertador e fechava os olhos bem forte, pra recuperar o sono que a aula de história quase chegara a interromper.

Eu ainda quero meu porto-seguro. Mas...

Só me meto em confusão.

Boooooom!