domingo, 21 de junho de 2009

Domingo à tarde. Sol e frio, como deve ser.
A praia está ali pertinho, e só a consciência desse fato já torna o ar ao meu redor mais respirável. Uma das melhores coisas é morar perto da praia, mesmo que apenas para observá-la de longe. Um amor meio platônico.
Icaraí fica com todo jeito de casa de vó. Famílias felizes tipo propaganda de condomínio de luxo. Cheiro de comida caseira invadindo as janelas.
E eu andando pelas ruas com a sensação crescente de não pertencer mais a esse mundo. Um ser desgarrado, perturbado e potencialmente perigoso. Mas que preza, por isso mesmo, pela vidinha burguesa que conheceu na infância, com seus pequenos prazeres tranquilos e ensolarados de domingo à tarde.
É exatamente como Harry, o lobo da estepe, se sentiu em relação ao pinheirinho da vizinha.
E, no final das contas, aquela pergunta clássica "se você pudesse conversar por uma tarde inteira com alguém que já morreu, quem ecolheria?" obteria de mim uma resposta categórica: HERMAN HESSE!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A diferença entre querer dormir e querer acordar com alguém é fundamental.

sábado, 13 de junho de 2009

O que eu preciso é de um não-objetivo que me tome inteira em seus braços, e me guie pelo mundo.
Um não-objetivo que conduza minha vida tal qual os pés em ponta de uma bailarina conduzem seu corpo inteiro, natural e deliciosamente, como se não houvesse outra maneira de ser pleno.
Sou um andarilho, um errante. Impossibilitado. Castrado. Engaiolado por tradições, relações pessoais, e os sentimentos que se pretendem humanos (mas seriam mesmo humanos ou forçosamente plantados nas cabeças agitadas dos bebês-esponja?).
Quem pára, se perde. Me perdi.

domingo, 7 de junho de 2009

Era uma menina bonitinha, de uns 12 anos. A jaqueta furada, os pés descalços e um pacote de bananada embaixo do braço. A expressão vazia de quem não espera nada de coisa alguma.
Alguns homens, parados de pé a poucos metros de distância, observavam-na com os olhos vermelhos de um desejo selvagem. O vômito me veio à boca, como uma enchete, me inundando inteira.
Que mundo é este em que, ao nascer, todas as terras já têm dono?

sábado, 6 de junho de 2009

uma dessas paradinhas bizarras...

Peguei no bruxa de blu e deu vontade de fazer.

Em negrito, tá o que eu já fiz dessa listona aí.

1. Criou seu próprio blog. (próprioS blogS)
2. Dormiu sob as estrelas. (várias vezes, tds muito especiais)
3. Tocou numa banda.
4. Visitou o Havaí.
5. Viu uma chuva de meteoros.
6. Doou mais do que podia pra caridade.
7. Foi para a Disneylândia.
8. Escalou uma montanha.
9. Segurou um louva-deus.
10. Cantou solo.
11. Pulou de bungee jump. (um dia, com certeza!)
12. Visitou Paris. (um diz, com certeza!)
13. Viu uma tempestade de raios no mar. (em alto-mar, e foi bastante assustador)
14. Aprendeu uma forma de arte sozinho.
15. Adotou uma criança.
16. Teve infecção alimentar.
17. Visitou a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor.
18. Cultivou seus próprios vegetais.
19. Viu a Monalisa na França.
20. Dormiu num trem-leito.
21. Participou de uma luta de travesseiros. (é um esporte perigoso com primos mais velhos, viu?)
22. Viajou pedindo carona.
23. Faltou por estar doente quando não estava. (eu e o resto da humanidade)
24. Construiu um forte de neve.
25. Segurou um carneiro.
26. Mergulhou pelado.
27. Correu uma maratona. (haha)
28. Se escondeu em uma gôndola em Veneza.
29. Viu um eclipse total.
30. Viu o nascer e o pôr-do-sol.
31. Fez um home-run. (home o que???)
32. Esteve em um cruzeiro.
33. Viu as Niagara Falls ao vivo.
34. Visitou o lugar onde seus ancestrais nasceram.
35. Viu uma comunidade Amish. (nem sei o que é)
36. Aprendeu uma língua nova sozinha.
37. Teve dinheiro o bastante pra ficar realmente satisfeito.
38. Viu a Torre Inclinada de Pisa.
39. Escalou nas rochas.
40. Viu “David” de Michelangelo.
41. Cantou karaokê. (e tirei 99. :P)
42. Viu um géiser em erupção.
43. Pagou uma refeição para um estranho.
44. Visitou a África.
45. Andou na praia à luz da lua.
46. Foi transportado por uma ambulância.
47. Teve um retrato seu pintado. (com 6 meses de idade, pela minha mãe)
48. Pescou no alto-mar.
49. Viu a Capela Sistina.
50. Esteve no topo da Torre Eiffel em Paris.
51. Mergulhou ou fez snorkel.
52. Beijou na chuva.
53. Brincou na lama.
54. Foi em um cinema drive-in.
55. Visitou a Muralha da China.
56. Abriu seu próprio negócio.
57. Teve aula de artes marciais.
58. Visitou a Rússia.
59. Trabalhou em uma cozinha do sopão.
60. Vendeu biscoitos de escoteiras.
61. Admirou as baleias.
62. Ganhou flores sem motivo.
63. Doou sangue.
64. Pulou de pára-quedas.
65. Visitou um campo de concentração nazista.
66. Teve um cheque devolvido.
67. Salvou um brinquedo de infância.
68. Visitou o Lincoln Memorial.
69. Comeu caviar.
70. Fez um quilt. (hein?)
71. Foi até Times Square.
72. Conheceu os Everglades.
73. Foi demitido.
74. Assistiu a mudança de guardas em Londres.
75. Quebrou um osso.
76. Andou em uma motocicleta de corrida.
77. Viu Grand Canyon ao vivo.
78. Publicou um livro.
79. Visitou o Vaticano.
80. Comprou um carro zero.
81. Andou em Jerusalém.
82. Teve uma foto sua no jornal.
83. Leu a Bíblia inteira.
84. Visitou a Casa Branca.
85. Matou e preparou um animal para comer.
86. Teve catapora.
87. Salvou a vida de alguém.
88. Participou de um júri.
89. Conheceu alguém famoso.
90. Participou de um clube do livro.
91. Perdeu um ente querido.
92. Teve um bebê.
93. Viu o Alamo ao vivo.
94. Nadou no Great Salt Lake.
95. Processou alguém ou foi processado.
96. Foi picado por uma abelha. (no colégio. doeu à beça)
97. Foi ao Canal do Panamá.
98. Já namorou um gay. (serve UMA gay?)
99. Foi assaltada.
100. Perdeu a lente de contato.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Todo blog nasce de uma busca.
Minha relação com esses retangulozinhos virtuais sempre foi de medo e prazer, de necessidade, de vício e, ao mesmo tempo, de profunda repulsa. Imagina: dividir todas essas tormentas interiores que eu mesma não entendo com pessoas que não poderão de forma alguma penetrar as entrelinhas!
Mas talvez essa seja a graça da coisa: se dividir com olhos anônimos que trilham, eles também, essa estradinha tortuosa e inevitavelmente solitária que se chama autoconhecimento. A gente precisa se esbarrar de quando em quando, para continuar a passos firmes.
Uma vez, me disseram que "a vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro". Era um rapazinho inteligente, citando seu autor preferido, que logo iria embalar também as minhas noites à meia luz, as madrugadas sem sono, as tardes ociosas enclausuradas entre as quatro paredes do quarto.
Escrevo porque preciso. Divido porque não há outra maneira.
De quem cansou de ser lobo da estepe e precisa do seu teatro mágico.
I walk...