segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É preciso redefinir todo o conceito de saudade.

Ou inventar uma palavra nova, que dê conta de tudo o que eu sinto neste momento.

Não é só a ausência dele. É também a ausência de mim mesma. Minha estrada, que ele vai delineando a giz no chão, desbotou tanto que não leva mais a lugar nenhum.

Não é só a falta que ele me faz, mas a falta que o mundo todo faz quando ele não está por perto para dar um sentido maior a todas as coisas. O livro da vida tem uma página em branco para cada dia que não posso olhar bem fundo naqueles olhos fundos. Cheios de vida pulsando por dentro, transbordando em mim e se derramando sobre o branco de outrora.

Sobrevivência.

Vida assim tão pela metade, que nem merece o nome que aqui lhe dou.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Não é bom para o homem viver assim em pé de guerra no meio de seus companheiros imediatos". (Émile Durkheim)

Essa é a frase mais simples do mundo! é Étão óbvia! E, ao mesmo tempo, resume toda a minha crítica à nossa sociedade pós-moderna: de que adianta ganhar rios de dinheiro se você vai sair na sua mercedes desejando voltar o mais rápido possível pro seu condomínio na barra da tijuca, porque sabe que a favela mais próxima provavelmente estará tendo uma troca de tiros fudida, que pode acabar sobrando pra você e seu terno aprumadinho?

Será que ninguém entende que viver com MEDO é muito pior do que viver com POUCO?

Ok, o texto ficou super confuso. Foram as 4 horas papeando com o Durkheim. O francês mais alemão do mundo sabia das coisas. A seu jeito, e tal. Mas eu concordo bastante até.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Domingo

Debruço meus olhos sobre os seus
Você me recebe, se deixa enrolar, permanece em mim
Nosso olhar se enrosca
Como se aquele ato fosse a verdadeira consagração de um matrimônio
Mergulho em um mundo novo, onde tudo faz sentido
Há calor e aconchego.
Não quero ir embora.
Não quero.

Você sorri. Eu também.
Cada sorriso que trocamos, é um pedaço de mim que lhe entrego,
E uma parte sua que recebo de bom grado.
Assim, sem que sequer percebamos, eu sou toda sua e você é todo meu.

Passo a mão pelos seus cabelos...
Já não sei divisar onde eu termino e você começa.
Estou inteira.
Seus fios reconhecem em meus dedos velhos amigos.
Dialogam.
Entendem-se.
Coexistem em harmonia perfeita.

Beijamo-nos.
Um dueto nato.
E o mundo é música.
E nós somos música.
E então eu entendo... que desaprendi a viver sem você.