sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Imensidão

Caminha, menina.
Anda por esse mundão, no asfalto, na terra batida, e vai deixando cair cada noite mal durmida, cada lágrima que já derramastes.
Deixa cair todos os teus medos, e pisa em cima deles. Mistura com a poeira, deixa que virem pó.
E nua de todo o mal que te fizeram – a vida, as coisas da vida, e tu mesma – penetra a água gelada e limpa tua alma. Mergulha, perde o ar, enfrenta a morte e renasce novamente.
Caminha, menina.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

É difícil a jornada do escritor.

A primeira palavra, a primeira idéia lançada ao papel. É preciso ter coragem para embarcar no que se sabe ser uma aventura muitas vezes sofrida, cheia de meandros, de becos escuros que parecem não ter – e às vezes não têm mesmo – saída.

Mas o escritor é, antes de tudo, um tolo. Acredita que desta vez será diferente. Limpo. Tranquilo. Maquinal.

Tsc. Tsc.

Cada primeira linha do capítulo é um parto. De tantas noites em claro, de tantas páginas em branco, ameaçadas por um cursor preto e irritante.

O escritor, porém, não sente medo.

O escritor é, antes de tudo, um obstinado. Teimoso, diriam aqueles que, diferentemente dele, não precisam lapidar cada expressão de nosso idioma no mais perfeito diamante da comunicação.

O escritor é, antes de tudo, um esteta.

E segue seu caminho pedregoso em flor.